sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

“RETROSPECTIVA DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE AÇAILÂNDIA-MA: 13 FATOS QUE MARCARAM 2013”(2)








II – 2013  ANO RUIM PARA O CONSELHO TUTELAR/CONTUA

O ano  2013 foi  ruim para o Conselho Tutelar de Açailândia, o CONTUA. Tanto interna como externamente, o segundo mais importante órgão público municipal garantidor dos Direitos da Criança e do Adolescente  (de acordo com o ECA/Estatuto da Criança e do Adolescente  e a Lei Municipal n.º 132/97), sofreu vários problemas e críticas, por sua atuação ou  falta de atuação.

Instituição permanente, com atendimento diário e em plantões noturnos, de finais de semana e feriados,  diretamente encarregada de zelar pelos Direitos de Crianças e Adolescentes, junto à família, à comunidade, à comunidade e ao Estado/governos, nas situações de ameaças e violações a esses Direitos, o CONTUA, considerando as reclamações e queixas ( das próprias  crianças e adolescentes,  pais e responsáveis,  associações, sindicatos, igrejas, escolas, outros órgãos públicos, etc)  quanto a seu atendimento deficiente, moroso, irresolutivo,  deixou e muito a desejar.

Importa dizer que em muitos momentos de 2013 os problemas e dificuldades,   que resultaram neste atendimento reclamado pela comunidade, tiveram a ver com a infra-estrutura, por conta da Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Assistência: falta de veículo (e de motorista, quando o veículo estava disponível...), , de  telefone, de internet...

Outras questões quanto ao funcionamento e atendimento são antigas: qual a jornada semanal de trabalho “normal” do(a) Conselheiro(a) Tutelar? Os plantões são para os dias e horários de “expediente normal”, ou “noturnos, de final de semana, feriados”? As do colegiado não podem reuniões ordinárias prejudicar o atendimento no “ expediente normal” aos(as) usuários(as)? Conselheiro(a) Tutelar também é Conselheiro(a) de outros Conselhos Municipais? O trabalho do(a) Conselheiro(a) não seria mais “individualizado”, deixando as questões coletivas, difusas, "o controle social"   para o COMUCAA, e as educativas-preventivas para os programas e órgãos específicos da assistência social, cultura, educação, esporte, trabalho? Por que o povo e as entidades/instituições reclamam tanto do atendimento e do serviço prestado do CONTUA? Pelo falta do(a) Conselheiro(a) por que hoje é seu dia de folga? Ou por que hoje ele(a) não é o plantonista? ...

Diante das reclamações, denúncias quanto ao atendimento e serviços prestados pelo CONTUA, o plenário do COMUCAA decidiu, em setembro, por um “acompanhamento” mais presente ao CONTUA. Mas não houve “relatório” algum desse "acompanhamento" em 2013...

·       CONTUA muda composição no meio do ano...

O CONTUA passou por uma mudança em sua composição, no dia 06 de junho, aniversário do município, quando assumiu a 7ª gestão, eleita em 21 de abril,  com as Conselheiras Edna Maria Alves dos Santos, Ivanessa Sousa dos Santos, Ivonia Sandra Martins da Silva, Lucinete Freitas de Aguiar e Glen Hilton Soares Pereira, sendo veteranas as Conselheiras Edna Maria       (reeleita, e  de dois mandatos anteriores não consecutivos) e Lucinete ( um mandato e meio), Ivonia Sandra, Ivanessa e Glen Hilton eram uma novidade, calouros no meio DCA/Direitos da Criança e do Adolescente e de Direitos Humanos.
 
O quadro de suplentes do CONTUA  foi composto por Antonio Silvestre Marques de Sousa, Raimundo Carlos da Silva Conceição, José Alves Bezerra, Elisangela Conceição da Silva e Carlos Augusto Figueiredo Santana.

Cumpriram seus mandatos  2010/2013 as Conselheiras Andreya Carvalho de Oliveira e Veronice Pereira de Carvalho, com dois mandatos consecutivos; o Conselheiro Ismael Martins de Sousa, também com dois mandatos consecutivos; a Conselheira Elisangela Conceição da Silva e o Conselheiro José Alves Bezerra,  que se elegeram suplentes para 2013/2016.

O processo de escolha do atual CONTUA/Conselho Tutelar de Açailândia, para um mandato “tampão” de 06 de junho de 2013 a 09 de janeiro de 2016, iniciou-se em setembro de 2012, quando o COMUCAA/Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, órgão responsável por esse processo de escolha (conforme o ECA/Estatuto da Criança e do Adolescente, a Resolução CONANDA/Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente nº 139/2010, e a Lei Municipal n.º 132/97), iniciou as discussões e a elaboração do regulamento eleitoral. O regulamento eleitoral foi aprovado em dezembro (Resolução COMUCAA n.º 010/2012), e ainda neste mês abriu-se a etapa de inscrições de pré-candidatos(as), com 26 (vinte e seis) inscritos(as).

Os pré-candidatos(as) passaram por outras quatro  etapas: formação continuada, prova de conhecimentos,  entrevista técnica, campanha-propaganda eleitoral, até chegar como candidatos(as) para o dia da eleição/votação, 21 de abril, com o comparecimento facultativo de 5.486 eleitores(as).

E antes da posse, os(as) candidatos(as) eleitos(as) passaram por um mês de estágio e transição. Ao que parece, pouco adiantou todo esse processo...

·       Mas o processo de escolha não foi pacífico, não...

Um dos fatores que influenciaram, para pior, sem dúvida,  no funcionamento e desempenho do CONTUA em 2013, sobretudo a partir de junho, foi o conjunto e as consequências dos acontecimentos durante o processo de escolha.

Não houve problema algum na etapa inicial do processo, a de inscrições, nenhuma reclamação, nenhum recurso.

A etapa de formação sofreu alterações, de datas e horários, sem prejuízo da carga horária, e a partir dela surgiram as reclamações e “recursos”.

E um grupo de pré-candidatos(as) requereu alteração no regulamento eleitoral, no artigo que previa que o(a) eleitor(a) só poderia votar em um(a) único(a) candidato(a). O grupo queria a volta da “tradição em votar em até cinco candidatos(as)”.

Mas outro grupo de pré-candidatos(as) defendeu a manutenção do regulamento como estava. O COMUCAA, em assembléia questionável, precipitada, influenciado pelo seu assessor Raimundo Rodrigues da Silva, decide pela alteração.

O caso vai ao MPE, que recomenda a obediência ao regulamento original, a Resolução COMUCAA n.º 010/2012. Ameaçado de ‘intervenção’  no processo de escolha, o COMUCAA volta atrás e mantem o regulamento original...

Na campanha eleitoral e no próprio dia da votação, muitas reclamações e denúncias, de “bocas de urnas, transporte de eleitores, ameaças, etc”, mas nenhuma formalizada junto à Comissão Eleitoral, que só aceitava se fosse por escrito, assinada...

Mágoas e ressentimentos, legado ainda das eleições de 2010, que também “acionaram” o MPE e até inquérito na Polícia Civil, somadas às da atual eleição, criaram constrangimentos e animosidades, que se refletiram no restante do ano em todo segmento DCA e particularemente no CONTUA...

·       Nem  um mês e começam os problemas ...

Com menos de um mês de nova gestão, o CONTUA sofre o primeiro abalo: no final de junho,  o CDVDH-CB/Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran denuncia o órgão e o Conselheiro Glen Hilton, ao COMUCAA e ao Ministério Público Estadual/MPE,  por omissão de socorro a um (ex) “menino do trem”, caso que para ser ‘resolvido’, com a “devolução” do ex-menino do trem a sua cidade de Marabá,  demandou a movimentação não só do CDVDH-CB, como da Vale, da Viena,  da Associação Bom Samaritano,  do Ministério Público, do Judiciário Estadual e até do COMDIPE/Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência...Ou seja, quase todo o SGD/Sistema de Garantia de Direitos e rede de atendimento (menos o CONTUA...que também é do SGD, da rede...)

O COMUCAA constituiu Comissão Especial, que em meados de setembro, concluiu que o Conselheiro Glen Hilton e o CONTUA não cometeram nenhuma irregularidade e não tinham obrigação alguma de atender, pois ele era “maior de idade”, nada tinha a ver com o fato de que desde meados dos anos noventa já perambulava pelo trem da Vale, abrigando-se na Casa de Passagem...

A conclusão levantou protestos do CDVDH-CB e do Fórum DCA/Direitos da Criança e do Adolescente de  Açailândia, instância que congrega entidades civis.

·       Menos de dois meses, novo abalo no CONTUA...    

No final de julho, o próprio CONTUA, usando de seu Regimento Interno, afasta o Conselheiro Glen Hilton, sob suspeita de vazamento de denúncia encaminhada pelo Disque 100, e instituiu uma Comissão Apuradora.

Quase ao mesmo tempo, alegando questões de saúde, renuncia a Conselheira Ivonia Sandra Martins da Silva, que é substituída pelo Conselheiro Antonio Silvestre Marques de Sousa.

Mesmo com acompanhamento do COMUCAA e do MPE, o CONTUA não deu conta da Comissão, alegando dificuldades, a começar da composição.

O caso passa então, no final de agosto, ao COMUCAA,  que  instituiu uma segunda Comissão Especial para apurar denúncia contra o mesmo Conselheiro Tutelar Glen Hilton.

Mas em meados de outubro, também sem chegar a uma conclusão, o COMUCAA remete o caso do vazamento da denúncia encaminhada pelo Disque 100 à Procuradoria do Município e daí à Comissão de Sindicância, onde está até hoje.

Enquanto isso, o Conselheiro Glen Hilton, alega, e publicamente, em assembléias, reuniões, que vem sofrendo “discriminação” no CONTUA, que o deixam de lado nas discussões e decisões, que vem sendo “perseguido”...

·       E agora, nova denúncia, nova Comissão Especial...

No dia 07 dezembro de 2013, assembleia especifica do Fórum DCA escolheu as entidades representantes da sociedade civil organizada para o COMUCAA gestão  dezembro de 2013 a  dezembro de 2015.

No entanto, alegando “boca de urna” e “falta de ética” das Conselheiras Tutelares Edna Maria Alves dos Santos e Lucinete Freitas de Aguiar, as entidades ADEFIA/Associação dos Deficientes Físicos de Açailândia e a APAE/Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, impetraram recurso no COMUCAA.

No dia 20 de dezembro, o COMUCAA instituiu Comissão Especial, que apreciará inicialmente a denúncia, o que deve acontecer neste início de 2014.

·       Colegiado do CONTUA  “rachou”...

Lamentavelmente, e é muito ruim dizer isso, mas o “racha” plenamente visível e constatado no CONTUA, inclusive em outras instâncias (reuniões, assembleias...) em 2013 prejudica e muito o atendimento às ameaças e violações de Direitos de Crianças e Adolescentes açailandenses...

O CONTUA chegou ao absurdo de declarar abertamente que nada soube e nem tem como atuar ( e nem lhe cabe atuar, certamente...) em dois casos amplamente divulgados por toda mídia açailandense, os chamados “casos da van”, que vitimaram um menino e uma adolescente.

Isso só como um dos exemplos, entre muitos. O que será que o CONTUA fez  no caso da menina morta numa piscina semi-abandonada da Vila Ildemar?

Outro exemplo claro do “racha” no colegiado do CONTUA é a participação do  órgão na “força-tarefa”, formada ainda pelo COMUCAA, pelo CREAS/Centro de Referência Especializado de Assistência e Fórum DCA, na tentativa de agilizar/solucionar casos encravados, impunes social e judicialmente,  de violações de Direitos de Crianças e Adolescentes e suas famílias.

A maioria de seus  membros, apesar da existência da “força-tarefa” a mais de oito meses, “não está nem aí”, pois seu representante nela é que se vire... 

2013: com tudo o que aconteceu envolvendo membros do CONTUA, um ano para esquecer...

(continua)


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

“RETROSPECTIVA DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE AÇAILÂNDIA-MA: 13 FATOS QUE MARCARAM 2013”



“RETROSPECTIVA DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE  AÇAILÂNDIA-MA: 13 FATOS QUE MARCARAM 2013”








Inicio neste 02 de janeiro de 2014, uma retrospectiva 2013, em relação a Política Municipal de Atendimento dos Direitos da Criança e do Adolescente,com base na atuação e desempenho de seus principais órgãos, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente/COMUCAA, o Conselho Tutelar/CONTUA e o Fundo Municipal para a Infância e Adolescência/FIA.


A cada dia, um fato, e começo com o principal órgão responsável por essa Política de Atendimento, o COMUCAA, que na definição do ECA/Estatuto da Criança e do Adolescente, artigo 88,II;  das Resoluções CONANDA/Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente n.º 105 e 106/2005 e da Lei Municipal n.º 132/97  é órgão formulador e controlador dessa Politica, além de gerir o FIA (ECA, artigo 88, IV; Resolução CONANDA n.º 137/2010 e Lei Municipal n.º 136/97).


                          I  –  2013  no COMUCAA e ao FIA


1)COMUCAA   começa 2013  com mudanças na composição :

2013 começou com nova composição representante do governo municipal (a representação civil teria mandato até dezembro, e assim foi). E nova Diretoria (Conselheira Presidente: Ivanize Mota Compasso Araújo- Secretaria de Assistência Social/SEMAS; Conselheira Vice-Presidente: Eulália . Manteve-se a Tesouraria com a Conselheira Ivanete da Silva Sousa-Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran/CDVDH-CB e a Secretaria com a Conselheira Cleane Rodrigues da Silva, da Associação de Moradores da Vila São Francisco e Jardim América, que em março foi substituída pela Conselheira Maria Cristina da Conceição Silva, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais/APAE.

2)... E desfazendo de deliberações do COMUCAA anterior...

O “novo COMUCAA” começa sua gestão 2013 com ‘gosto de gás’, desfazendo, atropelando e revogando deliberações anteriores , e que causaram dificuldades e problemas internos, no funcionamento e desempenho do Conselho ao longo do ano. Entre elas,

* alterações em dois projetos do Protagonismo Infanto-Juvenil financiados pelo FIA, e aprovados em duas etapas, em dezembro de 2012 e pela próprio “novo COMUCAA”, com Resolução baixada pela Diretoria e tudo o mais, e que prejudicaram seriamente Adolescentes Protagonistas e as entidades executoras dos projetos, a Associação de Moradores de Açailândia/AMA, e a Rádio ARCA FM (Comunitária), com desdobramentos ainda para 2014;

* no regulamento do processo eleitoral do CONTUA 2013-2016, que exigiu uma “intervenção” do Ministério Público Estadual, para que se obedecesse a regulamentação original, aprovada em 2012, e que causou um profundo ‘racha’ entre os(as0 então candidatos(as) a Conselheiros(as) Tutelares, que repercute ainda hoje internamente no órgão zelador  dos Direitos, individuais, de Crianças e Adolescentes (ECA, artigo 131);

*Indefinição quanto ao Regimento Interno/RI: o mais antigo, de 2008, e um mais atual, aprovado em dezembro de 2012.

3) Considerando suas atribuições COMUCAA fez pouco...

Embora suas muitas atribuições, encargos  e responsabilidades institucionais (por exemplo, as elencadas na Lei Municipal n.º 132/97), o COMUCAA deixou a desejar em sua atuação, tida por militantes como uma das mais fracas em toda a sua história de mais de vinte anos.

Como exemplo, depois de quatro anos de participação em atividades formativas na Rede Maranhense de Justiça Juvenil, e que buscava implantar em Açailândia as ‘práticas restaurativas e a justiça juvenil restaurativa’, como importantes e fundamentais ações na política municipal de atendimento das medidas socioeducativas para adolescentes em conflito com a lei, o COMUCAA não se empenhou realmente, junto as Secretarias de Assistência Social e de Educação, e de maneira ampliada junto a todo o Sistema (de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes/SGD) e a rede de atendimento,  não cumprindo seu papel essencial de articulador, mobilizador, monitor, fiscalizador,e avaliador de políticas públicas e ações sociais, e nosso município ‘abandonou’ a Rede Maranhense de Justiça Juvenil.

Embora, pelo seu GT/Grupo de Trabalho – o Grupo de Monitoramento do Plano Municipal de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes/PLANO DE ENFRENTAMENTO, - tenha cumprido a agenda da “Semana Municipal de Combate”(maio), determinada em lei, não conseguiu efetivar o “Dia MARIA MARTA”, em agosto, e também previsto em lei.

Sobre a Política e Plano Municipal de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção a(o) Trabalhador(a) Adolescente/PLAMETI, um descaso e  omissão que beiram o absurdo, comprovada com a explicita e vergonhosa exploração de Crianças e Adolescentes em atividades laborais, pelas ruas, avenidas,brs, praças, feira/mercado; lava-jatos e oficinas; lanchonetes- restaurantes- casas noturnas-, residências...

E ainda no primeiro semestre de 2013, na tentativa de buscar soluções – sociais e judiciais – para casos encravados, irresolvidos, impunes de violações de Direitos, como os referentes às CPI Estaduais de 2003-2004 e 2009-2010, “Provita”, assassinados na FUNAC, menino desaparecido ELSON, MARIA MARTA, e outros, o COMUCAA, através do Grupo de Monitoramento, constituiu, provocado pela Paróquia Santa Luzia, Centro Comunitário Frei Tito, CDVDH-CB/Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran e Secretaria Executiva do Fórum DCA, uma “força-tarefa”, em conjunto com o CONTUA, o CREAS/Centro de Referência Especializado de Assistência Social e Fórum DCA, que praticamente ‘não saiu do lugar’ (embora tenha realizado uma viagem a São Luís para uma reunião com o Provita). Sobre a “força-tarefa”, dedicaremos um capítulo especial nesta “Retrospectiva 2013 DCA”.

A formação continuada do SGD e da rede de atendimento, exigida como política pública permanente pela Resolução CONANDA n.º 112/2006, pela primeira vez nos últimos nove anos, não foi realizada. Como exceção, duas formações especificas, para os(as) candidatos(as) ao CONTUA 2013-2016, no primeiro trimestre, e para os(as) Conselheiros(as) civis, escolhidos(as) pelas entidades eleitas  em 07 de dezembro.

4)  COMUCAA se desgasta   apurando  o Conselho Tutelar...

 Boa parte do seu “tempo 2013”, o COMUCAA usou apurando possíveis irregularidades no CONTUA, constituindo duas comissões especiais: a primeira, que apurou denúncia do CDVDH-CB, de omissão de socorro da parte do Conselheiro Tutelar, a um ‘ex- Menino do Trem’, inocentando-o; a segunda que apurou denúncia contra o mesmo Conselheiro Tutelar, de vazamento de denúncia encaminhada pelo Disque 100 nacional, e que agora tramita no âmbito da Procuradoria do Município. Em ambas as situações, ‘sobraram e sobram’ muitas dúvidas quanto as conclusões do Conselho, que certamente demandarão ainda em 2014.

E para complicar um pouco mais o quadro, mais uma denúncia, desta vez de falta de ética e interferência das Conselheiras Tutelares Edna Maria Alves dos Santos e Lucinete Freitas de Aguiar, na assembleia de escolha das entidades não-governamentais ao COMUCAA dezembro 2013-dezembro 2015.

Para apurar esta terceira denúncia contra o CONTUA, o COMUCAA já constituiu Comissão Especial, que deverá funcionar a partir deste início de janeiro 2014.

Essa situação toda repercute negativamente no relacionamento entre ambos os Conselhos,, com reclamações, mágoas e ressentimentos de lado a lado, o que acaba prejudicando os verdadeiros objetivos desses Conselhos, que é a promoção, a proteção e a defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes, de acordo com o ECA e a toda legislação pertinente. AO COMUCAA, cabe de maneira coletiva, difusa, e ao CONTUA, de maneira individual, inclusive á família da Criança ou Adolescente atendido(a), por ameaça ou violação de seus Direitos.

5) Orçamento Criança e Adolescente: COMUCAA pouco atuou

 Outra importante e fundamental atribuição do COMUCAA (ECA, artigo 4º) , na busca de assegurar Direitos de Crianças e Adolescentes, é sua atuação junto ao “Orçamento Municipal”. Afinal, ‘politica pública só acontece com recurso, com verba, com orçamento’.
Foi um 2013 de fraca atuação do COMUCAA, deixando quase tudo, quanto ao ‘orçamento’, para a representação do CONTUA e do Fórum Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente/Fórum DCA Açailândia.

E foi um ano importante, de elaboração e aprovação do PPA/Plano Plurianual, previsão orçamentária para os próximos quatro anos (2014 a 2017) e orçamento básico do município, no qual o Poder Executivo manifesta suas intenções quanto ás políticas públicas, programas, projetos, atividades, o que pretende fazer com os recursos (receita) previstos.

6) FIA: atrasos nos repasses atrapalham o COMUCAA...

Em relação ao FIA, mais uma vez foi um ano de atrasos nos repasses do Tesouro Municipal, que se limitam ao ‘nunca menos de um por cento do FPM/Fundo de Participação dos Município’, que criaram transtornos sobretudo às entidades executoras de projetos. No final do ano, uma delas sofreu constrangimentos, com cheques seguidamente ‘devolvidos’...

Os projetos desenvolvidos em 2013, com financiamento do FIA:

1. “Arte e Comunidade: estratégia de inclusão no Pequiá, da Paróquia São João Batista, no valor de R$ 79.986,45 (setenta e nove mil e novecentos e oitenta e seis reais e quarenta e cinco centavos);

 2. “Construindo a Cidadania”, do CDVDH-CB/ Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran, no valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais);

 3. “Novo Olhar”, das Associações de Moradores da Vila São Francisco e Jardim América/ de Moradores da Vila Capeloza, no valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), e

4. “Saber Viver II”, da AMA/Associação de Moradores de Açailândia, no valor de R$ 63.736,00 (sessenta e três mil reais e setecentos e trinta e seis reais).

Dois outros projetos, “Adolescentes tem vez, voz e voto”, da Comissão Juvenil do Fórum DCA para execução da AMA., no valor de R$ 35.000,00 (trinta e cinco) mil reais, e “Protagonismo em Comunicação”,da Rádio ARCA FM Comunitária, no valor de R$ 120.000,00 (cento e vinte) mil reais, aprovados igualmente em janeiro, sofreram alterações profundas, com valores reduzidos,  determinadas pelo COMUCAA, de tal maneira que acabaram totalmente desfigurados.

E no dia 20 de dezembro, o COMUCAA anuncia que, depois de dez anos seguidos recebendo doações de empresas para o FIA, não contará como estes recursos para 2014: a Vale, que doaria R$ 150.000,00- cento e cinquenta mil reais, e a EATE/TBE, com R$ 10.000,00 – dez mil reais-, cancelaram as doações, os motivos ainda não foram ‘oficializados’.

E o COMUCAA já tinha aprovado seu “Plano de Aplicação”, contando com estas e outras doações empresariais, o que também foi aprovado no Orçamento do Município.

7) Falta de participação adia assembleias e reuniões...

Pelo menos três assembléias ordinárias e duas extraordinárias, e dezenas de reuniões de Comissões Permanentes e Especiais, e dos Grupos de Trabalho, deixaram de acontecer, por falta de quórum. A baixa participação dos(as) Conselheiros(as), no geral, foi uma das questões mais levantadas e discutidas no Conselho, sem que se chegasse a uma boa solução. Mas concluiu-se que isso foi fator agravante para a baixa produtividade do COMUCAA em 2013. Tanto assim que se obrigou a adiar sua Audiência Pública anual de “prestação de contas à sociedade”, prevista para dia 20 de dezembro., para 24 de janeiro de 2014.pois sequer conseguiu aprovar o Relatório Geral do ano.

O COMUCAA, a mais de uma década reconhecido e admirado como um dos melhores Conselhos Municipais do Maranhão, neste 2013 literalmente ‘pisou na bola’.

A Diretoria alegou que foi induzida pela seu assessor, Raimundo Rodrigues da Silva, a muitos erros, desencontros, negligências e omissões. E também ao fato de que ele, assessor também de outros cinco Conselhos, da política de assistência social, além de atividades junto a Associação Estadual de Conselheiros e  ex-Conselheiros Tutelares do Maranhão, pouco esteve disponível ao COMUCAA.

Tal fato demonstrou a fraqueza do COMUCAA e de sua Diretoria, sem autoridade, poder e gestão sobre sua equipe de apoio técnico e administrativo, colocado pela administração municipal. Essa ‘equipe’ foi composta ainda por um bacharel de Direito, Carlito Alves, que em doze meses na verdade não esteve a serviço do COMUCAA, embora ocupasse na sede  uma sala; uma agente administrativa. Maria de Fátima Sousa Silva, veterana no Conselho, mas desde final de 2011 envolvida em irregulares na aplicação de recursos do FIA, situação apurada pelo COMUCAA mas não definida pela administração municipal (e já no final do ano, mais uma agente administrativa);  um motoboy,não exclusivo, e duas zeladoras.

8) Empossada  nova representação civil no COMUCAA

E em dezembro, no apagar das luzes, em conjunto com o Fórum DCA, o COMUCAA concluiu o processo de escolha da representação civil para a gestão dezembro de 2013 a dezembro de 2015, com a assembléia realizada no dia 07 de dezembro, a formação prévia dos(as) Conselheiras entre os dias 12 e 28, e a posse no dia 20 de dezembro de 2013.

O Fórum DCA definiu Ismael Martins de Sousa, o “Ismael Coração da Vila”, conselheiro tutelar entre junho de 2007 e junho de 2013, como próximo Conselheiro Presidente, e Manoel Messias Soares, da ASCOSVI, como Conselheiro Vice-Presidente.

Importante dizer que após praticamente treze anos com a Presidência do COMUCAA ocupada pela representação governamental, desta vez se cumprirá a alternância/paridade, e a representação terá a Presidência.
A representação da sociedade civil que assumiu em 20 de dezembro de 2013, para mandato de dois anos (até 20 de dezembro de 2015), está assim constituída:

Maria Lucia Alencar Lima Costa, titular, e Terezinha Pereira Soares, suplente (Associação de Moradores da Vila São Francisco e Jardim América); Dinair Silva Lima, titular, e Idelvânia Lopes da Silva, suplente (Associação de Moradores da Vila Capeloza); Luciana de Jesus Carvalho Freitas, titular, e Zeneide Alves Gonçalves Leite (Associação Comunitária Bom Samaritano); Ismael Martins de Sousa, titular, e Gele Maria de Sousa Santos, suplente (Associação de Esportes Coração da Vila); Manoel Messias Soares Silva, titular e Cezar Augusto Souza, suplente (Associação Comunitária e Social da Vila Ildemar); Alex Pereira dos Santos, titular, e Thais Gabrielle Souzsa\da Silva (Associação de Moradores de Açailândia).


A representação governamental definiu Ivanize Mota Compasso Araújo como Conselheira Tesoureira, e Maria Crsitina da Conceição Silva, como Conselheira Secretária, mas agora como representante da Secretaria de Educação.

E imediatamente após a posse da representação civil, e de duas novas Conselheiras governamentais (além de Maria Cristina,  Linda Grace Barberino, pela Secretaria de Saúde), o COMUCAA entrou em recesso, até a manhã de 06 de janeiro de 2014.


(continua)  

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

NOSSOS VOTOS




Meus votos, nossos votos...

Minhas resoluções de ano novo, já as define... é o pé no chão, o realizável no curto-curtíssimo prazo, aqui em Açailândia do Maranhão.

Mas como a Ruth de Aquino, no artigo a seguir, também tenho ‘meus votos’ para 2014, ano eleições e de copa do mundo de futebol, e de muitos mais, e tão importantes quanto e como...

E meus votos batem com os dela...


(Eduardo Hirata)


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Nossos desejos são nossos votos, na urna e numa ideia fixa: uma sociedade mais educada e sadia


                                        NOSSOS VOTOS





( por RUTH DE AQUINO, colunista da revista Época, 30/12/2013)


Confesso ter problema com a palavra “aposta”. Todos os significados dela me incomodam. O significado mais comum implica ganhar ou perder dinheiro. Ou se aposta num cavalo ou numa certeza. Quando se aposta – com um amigo ou num vício – , arrisca-se muito. Grana ou reputação. Às vezes ambas.

Prefiro os desejos às apostas. Podemos ser mais livres e delirantes ao desejar. Podemos ser utópicos. No ano de 2014, de eleição e Copa, nossos desejos são, mais do que qualquer troféu, nossos votos. Votos na urna e numa ideia fixa: uma sociedade mais educada, mais sadia, mais responsável, mais ética e menos violenta.


1. Que o próximo presidente ouça a voz das ruas e, antes de investir US$ 4,5 bilhões em caças suecos, escolha suas prioridades de emergência, entre elas a Saúde, evitando que pacientes morram na fila da rua ou da cirurgia, por negligência e omissão.

2. Que o próximo presidente entenda a expressão “mobilidade urbana” e, em vez de inundar as ruas de carros particulares, invista em trens e transporte público de qualidade, com integração real entre rodoviárias, aeroportos, metrôs e ônibus. Que invista também em rodovias mais seguras, porque nossas estradas hoje são de quinta categoria.

3. Que o próximo presidente, consciente de que quase 40% das famílias brasileiras são hoje chefiadas por mulheres, invista numa política nacional de creches, em quantidade e qualidade, permitindo assim que possamos conciliar com um mínimo de tranquilidade e competência nossas funções de mãe e trabalhadora.

4. Que o próximo presidente remunere direito os professores e aumente a carga horária das escolas no Brasil, do ensino fundamental às universidades, para que crianças e adolescentes não fiquem apenas cinco horas por dia em instituições de ensino, enquanto os pais trabalham em tempo integral.

5. Que o próximo presidente ataque de frente o deficit profundo de habitação popular, poupando as famílias brasileiras de viver indignamente em barracos e favelas sem esgoto, sem segurança nem saneamento, com perigo de desmoronamento ou risco de tuberculose, junto a áreas de elite nos grandes centros urbanos ou nos rincões remotos e abandonados.

6. Que o próximo presidente tenha ética, determinação, apoio e moral suficientes para tirar a política brasileira desse pântano de corrupção e privilégios, acabando com supersalários e supermordomias num dos Congressos mais caros e menos eficientes do mundo. Que sejam punidos exemplarmente todos que tirarem proveito particular de seus cargos públicos.

7. Que o próximo presidente ajude os Estados a ter uma política consequente de segurança. Temos visto apenas iniciativas isoladas e criativas, como as UPPs no Rio. Sem uma contrapartida maciça de serviços públicos e sociais, elas acabam torpedeadas por bandidos com e sem farda. O risco é viver, cada vez mais, em cidades sem lei, onde se corre o risco de ser assaltado e morto ao andar na rua, ir à praia, pegar um ônibus, comer num restaurante, pegar dinheiro num caixa eletrônico de banco, chegar a sua garagem ou parar num engarrafamento.

8. Que o próximo presidente leve a sério o meio ambiente e o destino do lixo com campanhas de educação. E que não apenas multe, mas prenda os especuladores criminosos que destroem nossos parques, lagoas, praias e reservas.
9. Que o próximo presidente revele à população como são gastos os impostos, num país onde a arrecadação tributária bate recordes. E que os impostos sejam transformados em benefício dos contribuintes.

10. Que o próximo presidente não escamoteie os índices de  inflação e não minta sobre o real estado da economia do Brasil.

Aí sim, o Brasil seria campeão em 2014.


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