quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Conselho Nacional dos Direitos Humanos afirma em relatório sobre Sistema Socioeducativo do Ceará que Medidas Cautelares outorgadas pela CIDH não foram implementadas







Fonte: CNDH/MDH

O relatório recomenda que o Ministério Público do Ceará adote medidas cabíveis contra o Governador do estado; represente contra o Superintendente Estadual de Atendimento Socioeducativo por improbidade administrativa e apure os inquéritos sobre homicídios de adolescentes nas unidades

O relatório conjunto do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) e Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), publicado nesta quinta-feira (16) pelo CNDH, recomenda, entre outras medidas, que o Ministério Público Estadual do Ceará (MPE-CE) adote medidas cabíveis contra o Governador do estado considerando as graves violações de direitos humanos constatadas contra os adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, que podem, na avaliação do CNDH, constituir improbidade.

O documento também recomenda que o MPE-CE represente contra o Superintendente Estadual de Atendimento Socioeducativo por ato de improbidade administrativa; apure os inquéritos sobre os homicídios de adolescentes internos e instaure procedimentos investigatórios sobre as denúncias de tortura e maus tratos sofridos pelos adolescentes nas unidades e no exercício do controle externo da atividade policial.
Entregue nesta segunda-feira (13) em Brasília aos comissários da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) James Cavallaro e Esmeralda Arosemena, que cumprem agenda oficial no Brasil durante toda esta semana, o relatório será novamente apresentado aos comissionários nesta sexta-feira (17), em Fortaleza, na reunião com os peticionários das Medidas Cautelares junto à CIDH: Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca Ceará), Fórum Permanente de ONGs de Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes (Fórum DCA) e Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced).

Conclusões do relatório

O documento é resultado da missão conjunta realizada nos dias 17 e 18 de agosto sobre o sistema socieducativo do Ceará, que teve como  objetivo monitorar as Medidas Cautelares 60-15 outorgadas pela Comissão Interamericana ao Estado Brasileiro em 31 de dezembro de 2015, tendo em vista a situação de gravidade e urgência das unidades de internação do sistema socioeducativo do estado.
A missão concluiu que persistem graves violações de direitos humanos nas unidades de internação do Ceará, como por exemplo, a ausência de oferta educativa regular para os adolescentes, o emprego de revista vexatória e de algemas de maneira abusiva, além de longo tempo de confinamento de adolescentes, que chegam a ficar 23 horas e 45 minutos por dia encarcerados, em dormitórios com estrutura de cela.
Também foram identificados um grande número de denúncias de violência institucional sem a devida apuração e atraso processual na vara responsável pela execução das medidas socioeducativas, mantendo os adolescentes detidos por mais tempo do que o determinado.
Durante a missão, foram realizadas audiências com representantes do Sistema de Justiça e do Executivo local, reuniões com movimentos e organizações locais e visitou três unidades de internação: Centro Educacional Dom Bosco, Centro Educacional São Miguel e Centro Educacional Patativa do Assaré.

Recomendações

Além das recomendações direcionadas ao MPE-CE, que incluem apuração de responsabilidades do Governador do estado, representação contra o Superintendente Estadual de Atendimento Socioeducativo por improbidade administrativa e apuração de inquéritos sobre homicídios de adolescentes nas unidades, o relatório também recomenda que o MPE-CE instaure procedimentos investigatórios sobre as denúncias de tortura e maus tratos sofridos pelos adolescentes nas unidades e no exercício do controle externo da atividade policial.
São feitas, ainda, recomendações relacionadas ao acesso à justiça e à atuação do Sistema de Justiça Juvenil; à estrutura e arquitetura das unidades; às visitas de familiares e visitas íntimas; ao direito à educação, à alimentação adequada, à integridade física, psicológica e à dignidade dos adolescentes internados, como por exemplo, que sejam abolidas a revista vexatória praticada contra adolescentes internos e seus familiares durante a realização das visitas ou de outras atividades externas aos dormitórios nas unidades, e a a utilização de isolamento compulsório como sanção disciplinar (“tranca”).
O relatório também propõe que o tempo de permanência dos adolescentes nos dormitórios seja adequado ao que estabelece o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), “com oferta de atividades educacionais, profissionalizantes, de lazer e de cultura, abolindo a prática de confinamento verificada nas unidades socioeducativas que chega a ser superior a 23 horas”.

Visita da Comissão Interamericana ao Brasil

Os Comissários James Cavallaro e Esmeralda Arosemena estarão no Brasil de 13 a 17 de novembro. Em sua estadia, passarão por Brasília, São Paulo, Espírito Santo, Ceará e Rio de Janeiro, para realizar visitas a unidades de internação, reuniões com a sociedade civil e com autoridades e eventos acadêmicos. Na segunda (13) estiveram em Brasília; nos dias 14 e 15 de novembro em São Paulo; em 16 de novembro no Espírito Santo, e no dia 17 de novembro estarão no Rio de Janeiro e em Fortaleza, onde se reunirão com o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca Ceará), Fórum Permanente de ONGs de Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes (Fórum DCA) e Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced), peticionários das Medidas Cautelares junto à CIDH.

HISTÓRICO

Denúncia à Comissão Interamericana

Em 31 de dezembro de 2015, a Comissão Interamericana concedeu Medidas Cautelares em favor dos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação no Ceará, solicitando que o Estado brasileiro adotasse, com urgência, as medidas necessárias para salvaguardar a vida e a integridade dos adolescentes. O cenário de violações denunciado à época para a CIDH, apresentava, além da ocorrência de repetidas rebeliões e conflitos, violência institucional, episódios de tortura, maus tratos e superlotação. Este cenário se estendeu e chegou a se agravar ao longo de 2016.
Em dezembro de 2016, em reunião de trabalho durante o 159º Período Ordinário de Sessões da CIDH, no Panamá, o Conselho Nacional de Direitos Humanos foi designado como órgão responsável pelo monitoramento das medidas cautelares concedidas pela Comissão.

Monitoramento das Medidas Cautelares

O monitoramento das Medidas Cautelares por parte do CNDH foi acordado entre os Peticionários – Associação Nacional de Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED), Fórum Permanente das Ong’s de Defesa dos Direitos da Criança (Fórum DCA Ceará) e do Adolescente do Ceará e Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (CEDECA Ceará) – e o Estado brasileiro em reunião de trabalho convocada pela CIDH em dezembro de 2016 no Panamá.

O caso do Ceará também teve destaque em Audiência Temática realizada pela CIDH em março de 2017 sobre a situação de direitos humanos dos adolescentes privados de liberdade no Brasil e sobre os retrocesos legislativos em pauta no Congresso, como a redução da maioridade penal e o aumento do tempo de internação. Diante das informações prestadas pelas organizações, os Comissários James Cavallaro, Relator para o Brasil e sobre os Direitos de Pessoas Privadas de Liberdade, e a Comissária Esmeralda Arosemana de Troitiño, Relatora sobre os Direitos da Infância, disponibilizaram-se para realizar visita ao Brasil para averiguar a situação das unidades de internação de adolescentes.
Acompanhamento do CNDH

CNDH acompanha a situação do Ceará desde 2015 quando, em sua 10º Reunião Ordinária, realizada em outubro de 2015, o CEDECA Ceará apresentou relatório com denúncias de violações de direitos no âmbito do sistema socioeducativo local.
Após a denúncia, foi criado um Grupo de Trabalho no âmbito da Comissão Permanente dos Direitos da População em Situação de Privação de Liberdade, que saiu em missão ao estado nos dias 3 e 4 de novembro de 2015, e confirmou a gravidade das violações conforme registrado no relatório final da missão: https://goo.gl/sNsIJd


·       *  Fosse só no Ceará... A situação e a realidade em todo o Brasil, e aqui em Açailândia do Maranhão, é de pasmar, de indignar... O que existe e persiste é um ‘desinteresse’, um descaso (já disse: tanto do Estado/governos como da Sociedade), falta de atenção e cuidados com Crianças e Adolescentes, ineficiência beirando a falência de políticas públicas e ações de prevenção e combate, tudo corroborando para a máxima “... bandido – no caso, Adolescente infrator – bom é bandido morto”.

(Eduardo Hirata)


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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Jovens de centro de semiliberdade são executados em Fortaleza

Chacina chocou pela violência e crueldade dos criminosos.
Centro educacional para jovens de 12 a 18 anos é considerado modelo.


(Fonte: G1.com., 13/11/2017)



Uma chacina em Fortaleza chocou pela crueldade dos criminosos. Eles executaram, na madrugada desta segunda-feira (13), jovens que estavam internados num centro de semiliberdade do estado.

Um grupo de dez a 15 homens armados invadiu o centro educacional e retirou a força seis jovens que cumpriam medida socioeducativa. Quatro deles foram levados para uma rua próxima e mortos com tiros na cabeça.

A crueldade dos criminosos foi tanta que eles também divulgaram a foto de um menino de 13 anos desesperado momentos antes de ser executado.

O centro educacional fica na Zona Sul de Fortaleza. É considerado modelo porque oferece uma alternativa para os jovens de 12 a 18 anos que cometeram delitos sem gravidade, sem uso de arma por exemplo.

Eles não perdem a liberdade. Estudam e trabalham de dia e se apresentam à noite - de segunda a sexta - para cumprir a medida socioeducativa.

Por isso, segundo o juiz da Infância e Juventude, são adolescentes que, normalmente, não voltam a praticar delitos.
“De uns meses para cá, a gente recebeu algumas denúncias, e essas denúncias foram encaminhadas para o estado, de que alguns jovens estariam se sentindo ameaçados por morarem em outros bairros, por residirem em determinados bairros que não eram dominados por aquela facção que domina aquela favela ali, aquele local onde o centro está encravado”, disse o juiz da 5ª Vara da Infância, Manoel Clístenes.

O superintendente do Atendimento Socioeducacional do Ceará, Cássio Silveira Franco, disse que a segurança foi reforçada depois das ameaças: “Tivemos conhecimento por parte do sistema de Justiça dessas situações de ameaças por parte de facções rivais. O reforço policial foi feito na semiliberdade, assim como nas outras unidades, mas a natureza, a gravidade como foi feita a ação, realmente foi imprevisível.” 

O centro vai ficar fechado por uma semana. Durante esse tempo, os cerca de 50 jovens atendidos no local vão ficar em casa.
À tarde, dois corpos foram encontrados numa lagoa próxima. A polícia investiga se são os dois outros jovens levados pelos criminosos.

Na noite desta segunda-feira (13), o Juizado da Infância e Juventude decidiu manter o centro fechado por um mês. A polícia já identificou os assassinos, mas ninguém ainda foi capturado. Nós pedimos uma posição do governo do estado sobre a chacina, mas não tivemos resposta.



·       Um cidadão açailandense me disse, meses atrás: “Eduardo, menor infrator é que nem bandido maior: só é bom morto...”.

Fico pasmo com a maioria de nossa sociedade pensando assim, e estarrecido com a marcha que ‘a coisa’ pega no Brasil: “é redução da maioridade penal, é endurecimento de penas, é até pena de morte”.

Aqui em Açailândia do Maranhão, Brasil que é, nada diferente.
Não bastou/basta o assassinato de cinco jovens quando cumpriam medidas sócioeducativas sob “proteção do Estado/governos”, ou o extermínio de mais de vinte jovens recém-egressos dessas medidas.

O ECA/Estatuto da Criança e do Adolescente, e a “lei do SINASE/Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo” são claramente ignorados tanto pela sociedade como pelo Estado/governos, e certamente fossem respeitados em dez por cento, o maior e mais essencial dos Direitos Humanos, o DIREITO À VIDA (e olhem onde vai nossa hipocrisia, de uma das  maiores  nação cristãs do mundo...), seria assegurado a todos brasileiros e todas brasileiras.

A chacina de Fortaleza, em estabelecimento considerado  modelo, infelizmente demonstra e comprova a falência do ‘sistema’ na atenção e no cuidado com a nossa juventude.



** Retornando ao blog, após mais de mês por aí, longe desse insensato mundo, e publicando logo uma noticia dessa... Mas a vida continua...

(Eduardo Hirata)

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

FÓRUM DCA AÇAILÂNDIA: assembléia de outubro neste sábado 07






Conforme a professora Raimunda Campos, presidenta da Associação de Moradores da Vila Capeloza, entidade secretaria executiva do Fórum Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente/Fórum DCA Açailândia, anuncia que a assembléia  ordinária mensal referente a este mês de outubro acontece neste sábado, 07, a partir das 0830 horas, na sala de reuniões do COMUCAA/Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Rua Marly Sarney, n.º 1.112, Centro.

O Fórum DCA Açailândia reúne as entidades não-governamentais que atuam na promoção, proteção e defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes, conforme definidas nos artigos 90, 91 e 95 do ECA/Estatuto da Criança e do Adolescente, e artigo 8º, II, da Lei Municipal n.º 132/97.

A assembléia mensal de setembro não aconteceu, por várias razões. A pauta deverá focar no processo de escolha da representação da sociedade civil ao COMUCAA 2018-2020, que deverá ser oficialmente iniciado em breve, atendendo aos dispositivos  da Resolução n.º 105, do CONANDA/Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, como também da Lei Municipal n.º 132/97.

Outro item importante que deverá merecer a atenção da assembléia, será o Protagonismo Infanto-juvenil, desenvolvido pela Comissão Juvenil do Fórum DCA Açailândia, e que tem assento garantido no COMUCAA.]

Também deverá merecer atenção, uma proposta do Fórum DCA dirigida ao COMUCAA, para articular e mobilizar para nome em escola, do menino ELSON MACHADO DA SILVA, assassinado em 2009, proposta feita pela Associação de Moradores do Pequiá de Baixo, e outros encaminhamentos já sugeridos, em relação a situações das chamadas ‘cpis 2003-04 e 2009-10 Provita’.

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* Bom, queridas leitoras, queridos leitores, com essa postagem, estou  dando um tempo prá um giro pelo centro-oeste e sul de nosso Brasil. Saúde e Paz!

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