domingo, 24 de março de 2013

CEDCA reprova espaços oferecidos pelo Estado aos jovens em cumprimento de medida socioducativa







Os locais visitados pelos conselheiros não se adéquam ao estabelecido em lei

O Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Estado do Maranhão (CEDCA-MA, responsável pela promoção de políticas públicas para infância e adolescência, encaminhou à governadora Roseana Sarney um documento que expõe os motivos para a reprovação dos locais indicados pelo governo estadual para transferência dos adolescentes internos no Centro de Juventude Esperança (CJE). (obs.: o CJE é a antiga e funesta Maiobinha...)

Após vistoria às instalações sugeridas nos bairros Areinha e Anil, o CEDCA-MA constatou que ambas edificações não possuem condições estruturais para o acolhimento dos jovens em cumprimento de medida socioeducativa de internação.


Dentre os motivos expostos, foi relatado que os locais não possuem ventilação, iluminação, salas de aula, salas para oficinas, espaço para atendimento psicossocial e de saúde, como é estabelecido pelo Sinase (Lei Federal º 12.594 que regulamenta a política de atendimento socioeducativo). (obs.: SINASE/Sistema Nacional de Atendimento Sócio-Educativo)


 Ainda foi constatado que o espaço no bairro da Areinha possui arquitetura ao molde previsto para o “sistema carcerário adulto” e não favorece a proposta pedagógica para o desenvolvimento pessoal, relacional, afetivo e social do adolescente em cumprimento em medida socioeducativa.

As condições estruturais da Casa situada no bairro do Anil foram classificadas como “boas”, entretanto, o parecer indica que o espaço precisaria de reforma para instalações de medidas de segurança e algumas adequações para um centro de socioeducação.

A situação do descumprimento do Sinase, por parte do Estado tem se prolongado há bastante tempo.

 Recentemente, o Ministério Público deliberou pela remoção dos adolescentes internos para o cumprimento de medida socioeducativa em semiliberdade ou liberdade assistida, pois desde agosto de 2012 o CJE está interditado pela Justiça por funcionar de maneira insalubre tanto para os jovens, quanto para os socioeducadores da unidade de internação que funcionava precariamente, expondo a saúde em risco de todos.


No documento, o CEDCA solicita que a situação seja regularizada em conformidade com a Lei Federal e que o Governo do Estado providencie soluções para a situação dos 18 jovens que estão sob a responsabilidade do Estado para que exista proteção integral às crianças e adolescentes.

·         Quatro (04) jovens açailandenses encontraram precocemente seu fim, assassinados, entre 2004 e 2010, quando cumpriam penas- medidas sócioeducativas – na antiga Maiobinha, hoje CJE.

Sem contar que, pelas minhas contas, sete jovens e uma jovem morreram igualmente de forma violenta, pouco tempo após regressarem dos “cuidados” da FUNAC.

As famílias nunca tiveram reparação alguma, a não ser pedidos de desculpas, ou condolências, os corpos dos filhos trazidos para cá...

Mas não se diga que, nos nossos casos, o descaso é só culpa do Estado (governos estaduais), mas se atribua também ao descaso, negligência e incompetência dos governos municipais, e da própria sociedade...

Agora mesmo temos outra jovem, recém egressa de medida sócio-educativa na capital novamente nas ruas, brs e entroncamentos da cidade, nas mesmas situações e condições (de exploração sexual, tráfico de drogas, criminalidade...) que a levaram para cumprir, por quase um ano, medida sócio-educativa privativa de liberdade...

Como na crônica anunciada de Garcia Marques, e tantas outras já anunciadas dantes, aguarda-se também o triste fim desta jovem, diante da inércia do sistema (COMUCAA, CONTUA, CREAS/Assistência Social, Judiciário., Ministério Público, Defensoria Pública, Educação, Saúde, Segurança, etc, etc).

E ainda um bocado de gente se atreve querer pena de morte  para adolescentes e jovens!


(Da Secretaria Executiva do Fórum DCA Açailândia, com informações da Agência Matraca de Notícias da Infância, São Luís, 19/03/2013)