segunda-feira, 12 de maio de 2014

CEDCA-MA realizou o “Seminário OS NOVOS CAMINHOS PARA O ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO NO ESTADO DO MARANHÃO – O PLANO DECENAL 2014-2024”










(Informe da Secretaria Executiva do Fórum DCA Açailândia – CDVDH-CB/Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos carmen Bascaran)


O CEDCA-MA/Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Maranhão realizou, entre os dias 07 e 09 de maio de 2014, no Convento das Mercês, em São Luís, o “Seminário OS NOVOS CAMINHOS PARA O ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO NO ESTADO DO MARANHÃO – O PLANO DECENAL 2014-2024”.

O objetivo do “Seminário...”: mobilizar os atores – instituições governamentais e não-governamentais-  do SGD/Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes para realinhar os novos caminhos do atendimento socioeducativo no Maranhão, e iniciar a construção do “Plano Decenal de Atendimento Socioeducativo do Estado do Maranhão, gestão 2014-2024”.

Na atualidade, o atendimento socioeducativo para adolescentes em conflito com a lei no Estado do Maranhão configura um estado de cáos total , e “oficialmente” sequer se pode “internar” Adolescentes, pois as unidades de acolhimento para tal estão interditadas judicialmente, a praticamente dois anos, em ação do Ministério Público Estadual,  e  autorizadas pelo CEDCA-MA.

Se no atendimento em “meio fechado”, com as  MSE/medidas socioeducativas de internação, internação provisória, custódia e semi-liberdade, sob responsabilidade da FUNAC/Fundação de Assistência a Criança e ao Adolescente, vinculada a SEDHIC/Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Cidadania, a situação beira a calamidade pública, o atendimento em “meio aberto”, com as MSE de liberdade assistida (LA) e prestação de serviços à comunidade (PSC), a cargo dos CREAS/Centro de Referência Especializado de Assistência Social, municipais, não é nada diferente, ou seja, configura um “desastre social”.

E mudar esta realidade maranhense se constitui em um grande desafio: superar as limitações, precariedades, ineficiências presentes no ASE/Atendimento Socioeducativo e assegurar um “sistema”, articulado, mobilizado, eficiente, resolutivo, de acordo com o que é garantido na Constituição da República, artigo 227, que estabelece o principio da ABSOLUTA PRIORIDADE no  atendimento dos Direitos de Crianças e e Adolescentes; no ECA/Estatuto da Criança e do Adolescentes, Lei Federal n.º 8.069/90;   nos Planos Nacional, Estadual (e Municipal, no caso aqui de Açailândia), de Promoção,  Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar; na chamada “Lei do SINASE/Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo”, Lei Federal n.º 12.594/2012, entre demais legislação e normas pertinentes.


A Conselheira Presidenta do CEDCA-MA., Maria Ribeiro da Conceição, destacou que o “Seminário...” é apenas o primeiro passo para a elaboração e aprovação do Plano Decenal Estadual de Atendimento Socioeducativo, pois em seguida a Comissão de Atendimento Socioeducativo do CEDCA-MA analisará a produção do “Seminário...”, colocará para consulta pública e haverá um seminário final, ainda neste  2014, quando então será  aprovado.


O “Seminário...”, sob Coordenação da Professora Selma Marques, da UFMA/Universidade Federal do Maranhão,  foi prestigiado por representantes de 52 – cinquenta e dois- municípios maranhenses, entre Conselheiros(as) Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente – os CMDCA-, entre eles, o Conselheiro Presidente de Açailândia, Ismael Martins de Sousa; profissionais dos CRAS/Centro de Referência de Assistência Social, dos CREAS, como o de Açailândia, com a Coordenadora Rosáurea, a Assistente Social Angela Márcia e o Psicólogo Levi; de Secretarias de Assistência Social, e Conselheiros(as) Tutelares – infelizmente, não tivemos representante de Açailândia.


 Na mesa de abertura do “Seminário...”, na tarde da quarta-feira, 07/05,  as participações e falas da Conselheira Presidenta do CEDCA-MA, Maria Ribeiro da Conceição (Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Padre Marcos Passerini); da Presidenta da FUNAC, Anaildes Serra; do Coordenador Nacional do SINASE, Cláudio Vieira, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; o Coordenador do CAOP/IJ- Centro de Apoio Operacional Infância e Juventude, da Procuradoria Geral de Justiça, Promotor de Justiça Márcio Thadeu Silva Marques; do Juiz de Direito da 2ª Vara da Infância e da Juventude, José Costa;  Fernanda Helena Nunes, Promotora de Justiça da Vara Especializada;   Eliane Almeida, Coordenadora do Escritório maranhense do UNICEF/Fundo das Nações Unidas para a Infância; a Secretária de Estado Adjunta da Educação, Conceição Andrade; o Secretário de Estado Adjunto de Direitos Humanos, Assistência Social e Cidadania/SEDHIC, Tiago Fernandes.

Nas falas, destaco:

* os comunicados da Conselheira Presidenta do CEDCA-MA, Maria Ribeiro da Conceição, sobre o processo e o calendário de realização das Conferências Nacional (10ª), de 14 a 18 de dezembro de 2015, no DF;  Estaduais, entre junho e agosto de 2015;   Municipais, de novembro de 2014 a maio de 2015;  Livres (para Crianças e Adolescentes/jovens) de maio a outubro de 2015, e com a novidade das Conferências Regionais (macros), em setembro e outubro de 2015. A Presidenta do CEDCA disse ainda sobre o G27, que é a representação nacional de Adolescentes, sendo que cada Estado deve definir, até início de junho, titular e suplente, que se reunirão mensalmente, contribuindo para a organização da Conferência Nacional;

 * O Coordenador Nacional do SINASE, Claúdio Vieira, numerou que atualmente são 22-vinte e dois- mil Adolescentes, em “regime fechado” e 100- cem- mil Adolescentes no meio aberto, atendidos(as) pelo sistema ASE brasileiro. Disse que precisamos desfazer essa “crença” de que Adolescentes são os culpados pela violência. E que as MSE necessitam repactuar essa vidas que continuam sendo, isso sim, as maiores vítimas. E quem está cumprindo MSE são os que sobrevivem;

* O Promotor de Justiça Marcio Thadeu Silva Marques foi incisivo em sua fala: “ o Estado do Maranhão é um Estado fora da lei, criminoso, ilegal. Muito mais perigoso que a comunidade de Adolescentes a quem  atribui o aumento da violência. E conclamou que temos que ter fé nessa caminhada, não podemos parar, não vamos ficar calados...”;

* A Promotora de Justiça Fernanda Helena Nunes disse ter vergonha de ser maranhense, diante de governos que fecham os olhos aos Direitos de Crianças e Adolescentes, a sensação de que se está regredindo... Lembrou da Resolução CEDCA-MA n.º 05/98, que trata da regionalização do ASE, entre outras questões importantes das MSE. E que os(as) Promotores(as) de Justiça contam que todos sejam multiplicadores de suas angústias, que são angústias de todos;

* o Juiz de Direito José Costa comparou a violência e a superlotação do sistema ASE do Maranhão ao do sistema penitenciário. Enfatizou ainda a precariedade do atendimento das MSE em meio aberto;

* A Coordenadora do UNICEF no Maranhão, Eliane Almeida, parabenizou o CEDCA-MA pela realização do “Seminário...”, mas disse “ a sensação é que a gente está perdendo a luta, pela garantia de uma política integral para as Crianças e Adolescentes”. E que estamos perdendo uma oportunidade impar, pois a pirâmide populacional brasileira está se alterando, temos 22- vinte e dois milhões de Adolescentes, ao mesmo tempo que envelhecemos. E ressaltou que “se a democracia faz bem às Crianças, elas é que fazem muito mais bem à democracia”. Fez referência ao absurdo aumento da violência, chegando à barbárie, lembrando a chacina da mãe “Fabiane” , em Guaruja-SP;

* A Secretária de Estado de Educação, Conceição Andrade, disse do déficit que o governo tem em relação aos DH/Direitos Humanos, lembrou como a luta é antiga, de gerações e gerações, e insistiu que precisamos construir espaços democráticos, sociopolíticos, para se buscar soluções concretas, com clareza de papéis;

* Para Tiago Fernandes, Secretário Adjunto da SEDHIC, o tom do “Seminário...” é um alerta para o Maranhão, que as limitações são muitas e grandes, mas que é preciso superar.  


A programação da tarde de abertura contou ainda com a mesa-redonda “ O atual contexto do atendimento socioeducativo no Maranhão: limites, desafios e possibilidades”, sendo expositoras Josenilde Nogueira, Supervisora da Proteção Social Especial da SEDHIC, e Anaildes Serra, Presidenta da FUNAC.


Josenilde Nogueira tratou do “meio aberto”, numerando que o Maranhão conta atualmente com 122-cento e vinte e dois- CREAS, em 119- cento e dezenove- municípios. E dois CREAS regionalizados, em Porto Franco e Bacabal. Disse ainda das atribuições dos CREAS quanto as MSE em meio aberto. E a Presidenta da FUNAC, Anaildes Serra, falou do “estado de emergência” decretado pela governadora, que está possibilitando agilizar reformas e melhorias nas unidades da FUNAC, e da construção do complexo ASE de Imperatriz, o primeiro regionalizado do Estado. 


 A quinta-feira, 08/05, foi toda dedicada ao trabalhos de grupos, com a divisão dos(as) participantes em três grupos, por eixo do “Plano Decenal Nacional”: Gestão, Qualificação do Atendimento e Sistemas de Justiça e Segurança.


E a plenária de encerramento, com a apresentação, discussão e votação-aprovação dos trabalhos dos grupos se deu na manhã e começo da tarde da sexta feira, 09/05. Entre muitas proposições aprovadas no “Seminário...” e que deverão compor o “Plano Decenal de Atendimento Socioeducativo do Maranhão”:

* Criar Centros Integrados de Atendimento SocioEducativo, conforme o ECA, artigo 88, V; 

* realizar concursos públicos e aprovar de planos de carreira para a efetivação dos profissionais do ASE;

 * garantir as dotações necessárias, no ciclo orçamentário; * adotar as Práticas Restaurativas e a Justiça Juvenil Restaurativa, como preconiza a “Lei do SINASE”;

* articular e integrar  todos os órgãos, serviços e programas públicos envolvidos com as MSE e o ASE, e também  instituições não-governamentais envolvidas;

* garantir, por parte do Poder Executivo, a formação inicial, continuada e especializada dos(as)  profissionais do ASE;

* garantir o vínculo familiar e comunitário dos (as) Adolescentes em ASE;

* regionalizar o ASE em meio fechado, atendendo a Resolução n.ª 05/98 do CEDCA-MA;

* criar as comissões intersetoriais, para a efetivação do controle social no ASE e execução das MSE, bem como as coordenações executoras;

* criar equipes especializadas de referência para o ASE.


 Na plenária, muitas discussões sobre as atribuições e funcionamentos dos CREAS e Conselhos Tutelares,  bem como o desconhecimento, a desarticulação e a morosidade do sistema de justiça, sobretudo o judiciário, e o das policias, civil e militar.

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